Papéis inversos convivência.com

Cansei de disputar
Um canto desse interesse
Um pouco desse olhar
Desse foco
Sem paredes
Meus brothers, meus parentes
Meus amigos ? Quem …
Computados neste verso
Pode ser mais de um milhão.
Um único que o entenda?
Trabalho quase em vão
cumpre a tarefa ingrata
Mostrar a contra-mão
Respira o fôlego rápido
Entre a onda e tubarão
Face book só é mesmo
Altar de desunião
Se queremos estar mais perto
Larguemos meio-fim
Dando um Fim neste meio.
Que dito de puro emprego
Nos traz solidão sem fim
No meio de tanta gente
Saudade do abraço quente
De Quem? Não sei mais.
Perdido no tédio da frase
Correndo as fotos e mensagens
Esqueço de tu e de mim
Já nem sei falar direito
Vivo esperando o efeito
Que algo mude o fim.
A ideia de união
Perdeu sua cara amiga
Novo selo globalizada
Email transforma a carta
Usurpou a cara afeição
E hoje não tem mais graça
A mensagem tinha o dom
De levar notícia cara
Torpedos scrap and Zap
Na velocidade da bala
Atira na beleza da fala
Na convivência.com
Na conversa em lento papo
É que o amor se propaga.
No twitt ligeiro
reduzimos nossa cara
Ao pokerface alterado
Imagem de um eu-nada
Como se alguém mesmo fosse
Seguir teus ditames na estrada
Sutilmente esvaziada
Na retrospectiva animada
Automatic-Ópio da máquina
Contagem de likes em fotos
Em frases compartilhadas
A vida de bilhões
Atados pelos polegares
Mais conectados que nunca
Mas que nunca solitários
Sei que não há saída vã
Mas não quero um fã
Quero abrir teus olhos
Pensas uma hora inteira
No que está passando conosco
Se achar solução
Conta-me então.
E se achar
o inverso deste verso
Nos papéis invertidos
Encenado o infinito
Não se seguem convertidos
Quem versa os papéis?
Que autoridade tem?
Como pode em sua vista?
Dizer o que é a lei?