Poesia marceneira

Arco de pua na mão
Um lápis atrás da orelha
Esquadreja na invenção
O sonho que da na telha

A farpa entra na mão
Madeira e homem se  unem
É veio que pulsa na veia
Da madeira que o formão
Lentamente esculpe e torneia

Cada martelada errada
Faz gemer não só a madeira
Com a dor e amor da dupla
Aparece a obra inteira.

No veio corre ainda a seiva 
Resultado sintetizado do passado
De um corpo já não mais útil
Que virou adubo arado
Assim esculpe hoje o homem
Uma parte de seu antepassado
Ou ainda se assim deus quiser
De um corpo por ele mesmo usado

Na natureza tudo se transforma
Assim dizia o ditado.

No serrote fiel ......
Sente que o corte encaixa
Se a madeira tem um nome
É no cheiro que se descobre

Da madeira que foi serrada.

Cada uma com um aspecto
E uma personalidade.
Cada época cada nó
Uma camada a mais encorpada
Um símbolo das nossas vidas
Das camadas formadas
Uns ficam massarandubas
Outros ipês amarelos
Umas perobas rosas
Outras pinhos de obra


Seja como for agora
Nada que não possa ser outrora
Uma útil mesa ou escora
Pra um carpinteiro que a manobra
E aplicando sua escola
A deixe sempre melhorada

.
Como nas vidas do homem
As camadas do inconsciente formadas
Vida após vida  vivida

A madeira se decompõe e renova
Numa qualidade aprimorada
Se hoje não entra um só prego
Amanhã será entalhada.

Madeira carrega pra sempre
A historia de quem nela trabalhou.
Por isso O Mestre ao vir pra terra
Escolheu a família certa
E Carpinteiro se formou.



Lourenço Olivieri Meier.
https://amadoraspoesias.blogspot.com.br/


Homenagem aos Amigos que compartilharam comigo a execução de serviços de marcenaria fabulósos:
Haroldo, Werner, Eduardo, Francisco, Iony, Fernando, Roberto, Cristiano e tantos outros.